Contemplação é uma virtude perdida. Em tempos antigos, ela não era um luxo espiritual, mas um fundamento da consciência humana. Os símbolos e os sinais falavam diretamente à alma; hoje, porém, não são mais notados. Converteram-se em imagens rasas, consumidas com os olhos, mas não penetradas pelo espírito. Assim, o homem reduziu-se a um estado de cegueira sutil: vê muito, compreende pouco. Ao não treinar os sentidos interiores, perdeu-se no raso significado das coisas, limitando-se à superfície do real.
Nas culturas africanas ancestrais, a contemplação era inseparável da vida. Os símbolos não eram ornamentos, mas portais. Máscaras, ritmos, mitos e gestos ritualísticos eram instrumentos de leitura do invisível. O iniciado aprendia a ver além da forma, pois sabia que a forma é apenas o véu. Contemplar era educar o olhar da alma, harmonizando o ser humano com as forças da natureza e com os ancestrais.
No Egito antigo, essa ciência atingiu um grau elevado de refinamento. Os hieróglifos não eram simples escrita: eram imagens vivas, carregadas de múltiplos níveis de sentido. O templo não era um local de culto no sentido moderno, mas uma escola de percepção. Cada coluna, cada proporção, cada divindade representava princípios cósmicos. O iniciado egípcio aprendia a contemplar para despertar. Ver não bastava; era preciso reconhecer.
Roma, herdeira de tradições ainda mais antigas, preservou em seus mistérios o valor da contemplação simbólica. Por trás da aparência pragmática do Império, existiam cultos iniciáticos, como os mistérios de Mitra, nos quais o símbolo conduzia o adepto a uma transformação interior. O mito era vivido, não apenas narrado. A contemplação, aqui, era disciplina e caminho.
Esse fio dourado atravessa também a tradição templária. Os Cavaleiros do Templo não eram apenas guerreiros, mas guardiões de um conhecimento simbólico profundo. O enigmático Baphomet, tantas vezes reduzido a caricaturas ou acusações simplistas, pode ser visto como um questionamento vivo: seria ele um ídolo ou um símbolo? Uma provocação ou uma síntese? A contemplação educada não se apressa em respostas fáceis. Ela observa, medita, relaciona opostos e busca a unidade por trás da forma.
A contemplação revela e educa porque exige silêncio interior, tempo e disposição para ir além da aparência. Ela não se contenta com a imagem pronta, nem com a interpretação imposta. Ao contrário, convida o leitor, o buscador, o iniciado moderno a aprofundar-se nesta senda esquecida. Recuperar a contemplação é recuperar a capacidade de ler o mundo como um texto sagrado, onde cada símbolo é um mestre e cada sinal, um chamado.
Aion Primus propõe este retorno. Não como nostalgia do passado, mas como necessidade do presente. Em um mundo saturado de imagens, reaprender a contemplar é um ato revolucionário e iniciático. É deixar de ver apenas com os olhos e começar, novamente, a enxergar com o ser.













