Se observares os quatro cantos deste mandala rosacruz do século XVIII, perceberás quatro letras destacadas: C – A – O – S.

Não se trata de acaso. É simultaneamente advertência e revelação.
Os antigos alquimistas compreendiam que o homem comum vive na periferia da roda: o domínio da matéria densa, do ruído, da dispersão e da fragmentação. A esse estado deram o nome de CAOS. É o que, em linguagem moderna, se chama de Matriz: um campo de distração contínua onde tudo parece separado, desconexo e instável.

Este diagrama, porém, não é apenas simbólico. Ele é um mapa operativo.

O Segredo do Centro

Ao acompanhar os círculos em direção ao interior, atravessando sucessivamente as esferas dos elementos — Terra, Água, Ar e Fogo — o caos começa a se ordenar. A multiplicidade se aquieta. A confusão perde força.

No ponto central exato, resplandecendo em ouro, encontra-se o Nome Divino, o Tetragrama YHVH.

O ensinamento é direto:
a harmonia não nasce da tentativa de corrigir o mundo exterior. O C.A.O.S. não pode ser organizado a partir da periferia. O Ordem emana exclusivamente do Centro.

A Lei do Espelho — Speculum

O título do gráfico é Speculum Divinum — o Espelho Divino. Ele expressa uma lei fundamental da tradição hermética: a realidade externa é reflexo fiel do estado interno do ser.

Quando o centro interior está em desordem, a vida manifesta desordem.
Quando o centro está estabelecido na Luz, a realidade, como espelho obediente, reflete essa Luz inevitavelmente.

Não se trata de moral, crença ou desejo, mas de lei.

O Caminho Operativo

A instrução iniciática é clara:
cessar o combate contra o reflexo.
interromper a guerra contra as sombras projetadas na parede da Matriz.

O trabalho real é interior.
A travessia exige atravessar as próprias camadas — instintos, emoções, pensamentos, condicionamentos — até alcançar o ponto imóvel, silencioso e soberano onde o Caos não possui acesso.

Nesse núcleo, no olho do furacão, não há reação, não há fragmentação, não há medo.
Ali, o ser não é efeito.
Ali, o ser é princípio.
Ali, o ser não reflete — emana.

O Caos revela-se, então, pelo que sempre foi:
apenas um espelho.

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